Polícia investiga desaparecimento de jovem de 19 anos que subiu montanha no Paraná na noite de Ano Novo
03/01/2026
(Foto: Reprodução) Bombeiros continuam buscas por jovem que desapareceu após subir o Pico Paraná
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) investiga o desaparecimento de Roberto Farias Tomaz, de 19 anos. Ele não é visto desde o dia 1º de janeiro, quando descia a trilha que leva até o Pico Paraná, ponto mais alto do Sul do Brasil. Bombeiros e voluntários trabalham nas buscas desde o dia do desaparecimento.
Roberto iniciou a trilha no dia 31 de dezembro, acompanhado de uma amiga. Segundo relatos, ele se sentiu mal durante a subida. Os dois chegaram ao cume na madrugada do dia 1º, mas, durante a descida, ele ficou para trás e não foi mais visto. Veja mais detalhes abaixo.
Segundo o delegado Glaison Lima Rodrigues, neste sábado (3) foi aberta uma investigação, após a abertura de um Boletim de Ocorrência pela família do rapaz. O delegado colheu depoimento da jovem que acompanhava Roberto na trilha, além de outros montanhistas que o encontraram no caminho e familiares dele. A polícia afirma que, até o momento, não há indício de crime.
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O analista jurídico Fabio Sieg Martins estava em um dos grupos de montanhistas que encontrou Rodrigo e a amiga na trilha. Ele conta que acionou os bombeiros ao chegar ao acampamento que fica na base do morro e perceber que o rapaz não tinha mais sido visto.
"Quando a gente chegou no acampamento A1, venceu o 'grampos' e tudo mais, tava a menina na barraca. Aí eu pergunto pra ela: 'Cadê o Roberto?' e ela não sabia do Roberto. Aí bateu o desespero, eu falei 'o guri deve ter se desorientado lá no [acampamento] A2, tá perdido lá em cima. [...] Aí nós voltamos. No primeiro ponto que dá sinal de celular, eu faço uma ligação para o Corpo de Bombeiros e situo o bombeiro da posição e das referências que nós tínhamos ali", conta Martins.
A família de Roberto pede que montanhistas com experiência que queiram ajudar nas buscas – especialmente aqueles que conheçam o Vale do Cacatu e a trilha do Saci – se unam aos voluntários e bombeiros nas buscas. Para isso, os trilheiros devem realizar cadastro na base do Corpo de Bombeiros montada na sede do parque.
Jovem de 19 anos desapareceu enquanto fazia uma trilha no Pico Paraná
Reprodução
Investigação
Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, o delegado Glaison Lima Rodrigues disse que o caso, a princípio, é tratado como desaparecimento e nenhuma das pessoas ouvidas pela polícia é considerada investigada. "
"Não há elementos iniciais de uma infração penal, mas caso fique caracterizado o mínimo indício dessa ocorrência de infração penal, haverá uma conversão desse boletim de ocorrência e análise em um inquérito policial ou um termo circunstanciado para que seja encaminhado ao poder judiciário", afirma o delegado.
Desaparecimento
Segundo o Corpo de Bombeiros, o rapaz subiu o morro na quarta-feira, dia 31 de dezembro, junto com uma amiga, e passou mal durante o trajeto. Eles chegaram juntos ao cume por volta das 4h de quinta-feira, dia 1º de janeiro.
Após descansarem e encontrarem outros dois grupos no cume, a dupla iniciou a descida com um dos grupos por volta das 6h30. Em um ponto anterior ao acampamento, o rapaz se separou do grupo.
Momentos depois, conforme os bombeiros, o segundo grupo iniciou a descida, passou pelo ponto onde a vítima tinha ficado, mas não encontrou com ele.
No mesmo dia, por volta das 13h45, uma equipe do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST) foi mobilizada para iniciar as buscas oficiais. Horas depois, outras duas equipes de socorro se somaram às buscas, que se estenderam até a madrugada de sexta-feira.
As buscas foram retomadas por volta das 6h30 deste sábado com duas equipes do GOST. Uma delas iniciou a subida para o cume e outra que acessou o cume de helicóptero e iniciou a descida. Um helicóptero com câmera térmica sobrevoou a região.Também foram feitos sobrevoos com drone.
Além disso, uma equipe de montanhistas do Corpo de Socorro em Montanha (Cosmo) também participou das buscas, junto com corredores de montanha do Clube Paranaense de Montanhismo (CPM).
IAT restringe acesso ao parque
Pico Paraná
Denis Ferreira Netto/AEN
Atendendo a uma recomendação do Corpo de Bombeiros do Paraná, o Instituto Água e Terra (IAT) restringiu a entrada de visitantes no Parque Estadual Pico Paraná, entre Campina Grande do Sul e Antonina.
A partir deste sábado (03), o acesso aos morros Caratuva, Pico Paraná, Getúlio e Itapiroca foi fechado temporariamente.
A medida visa ajudar nas buscas do jovem que desapareceu dentro da Unidade de Conservação (UC).
Conforme o IAT, a entrada no parque para os morros Camapuã e Tucum, porém, continuará aberta, já que a presença de visitantes nesses pontos não interfere na operação de resgate.
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